Amy Grist e Wayne Bevan são da Inglaterra e incluíram em sua jornada empreendendora uma longa estadia pelo Brasil para aprender português.

Juntos, eles viveram e viajaram em mais de 60 países e em cada destino buscam compartilhar sua experiência falando sobre vocação, estilo de vida e oportunidade com os locais.

Em sua passagem pelo Brasil, especificamente em Cascavel, no Paraná, Amy e Wayne ensinaram inglês para conversação e registraram a experiência em um projeto chamado Two Can Teach.

O negócio, que iniciou em escolas de idiomas, coworkings e cafeterias, migrou para o app Italki, conhecido como o “Airbnb dos professores de idiomas”, onde o casal concluiu mais de 2.000 lições online.

Por algum tempo eles também realizaram serviços de tradução para uma empresa de software, além de lançarem um negócio para trabalhar com tradução e multimídia, o Typeface.

E durante as viagens, novos insights vão surgindo.

Recentemente eles criaram uma série de oficinas terapêuticas, chamada Inner Council, e estão gerenciando autênticos retiros de movimento no Peru.

Confira a entrevista que esse casalzão do mundo concedeu pra Rulez durante a passagem deles pelo Brasil.

Vocês se consideram empreendedores?

Nós associamos bastante ao elemento criativo do empreendedorismo em encontrar oportunidades úteis para colaborar e ajudar a fornecer soluções para o mundo real.

Nós gostamos da maneira que os projetos eram percebidos antes da indústria.

Se João quisesse construir uma casa, as pessoas se reuniriam para construir uma casa. Você não precisava necessariamente de uma construtora.

Por isso nós nos concentramos mais em projetos e oportunidades para desenvolver nossas habilidades e ajudar as pessoas no momento. Esses projetos não são fixos e estão sempre mudando.

Quando surgiu essa necessidade ou desejo de viajar?

Um sentimento de mudança sempre esteve presente em nossas vidas.

Eu (Wayne) tinha ido para oito escolas diferentes quando tinha dez anos e mudei de uma cidade costeira para uma cidade do interior com pouca idade, então havia sempre um sentimento de lugares diferentes.

Já a família de Amy mudou-se várias vezes ao redor do Sul da Inglaterra e depois para a Turquia, onde seu pai trabalhou como diplomata britânico em Istambul.

Essas experiências nos deram um senso de mudança contínua, a única essência que completa nosso relacionamento com os outros e com as viagens.

#LeiaTambem 5 coisas para fazer antes de abandonar o emprego assalariado

Qual foi a maior motivação para pegar a estrada?

De longe, a maior motivação é a diversidade dos lugares.

Quando tudo o que nos rodeia está sempre mudando, impede que nossas mentes se estabeleçam em uma versão particular ou em uma expectativa de nós mesmos ou da vida.

Viajar também nos permite uma experiência intensiva de aprendizagem, já que todos os nossos sentidos estão sendo regularmente estimulados.

Um dos objetivos de nossa jornada é quebrar algum preconceito que desenvolvemos nos estágios iniciais de nossas vidas e, onde não podemos fazer isso, descobrir a consciência neste conhecimento.

Viagens também nos dão uma mentalidade mais encorajadora e um sentido pessoal de realização, que é fundamental para manter uma energia criativa e positiva para nossos projetos.

Desde o início, vocês já tinham um projeto em mente ou ele foi construído durante as viagens?

Nossos projetos se formam ao longo da viagem, mas certamente é verdade que escolhemos as coisas onde temos uma habilidade ou interesse natural, e não abordamos ideias que claramente exigem um maior profissionalismo ou um tempo de compromisso que simplesmente não podemos fornecer.

Em termos de prestação de assistência em tempo real, temos de considerar os requisitos das pessoas e do ambiente em que muitas vezes estamos passando.

Nutrimos nossos corpos e mentes, as ideias vêm por conta própria.

Qual é o objetivo de cada viagem?

Além de trabalhar, nossa intenção é colaborar e integrar-se à comunidade.

Nós dedicamos toda energia para nutrir o pensamento criativo.

Isso se tornou uma prioridade, pois estamos constantemente mudando nossas atividades.

Com isso em mente, abordamos a ecologia local para entender e perceber ideias e oportunidades, onde elas estão e o que nós podemos fazer para realçar uma oportunidade e o impacto que este realce terá.

Às vezes é difícil para as pessoas verem esta metodologia de uma perspectiva externa, pois nosso rendimento é um equilíbrio de vários projetos, coexistindo de forma complementar ao mesmo tempo.

A vinda ao Brasil foi planejada ou por acaso?

Em termos de ver toda a América do Sul, houve alguma premeditação para chegarmos aqui. O que não foi planejado foi quando, como ou por que.

Tínhamos estado na Argentina por um mês em retiros de meditação e estávamos à procura de um clima mais quente já que o inverno estava ficando frio nas montanhas de Córdoba.

Uma oportunidade se abriu quando recebemos uma resposta agradável sobre um projeto voluntário perto de Foz do Iguaçu, na fronteira do Paraná com Argentina e Paraguai.

Não tínhamos ideia de como era a vida nas regiões do Sul do Brasil.

Normalmente não existe nenhuma rota lógica, preconcebida, unidirecional. Pode ser que nosso caminho nos tire do Brasil, para então voltarmos mais tarde.

Amy e Wayne nas aulas de inglês

E como vocês vieram parar em cidade do interior do Paraná?

Nós não sabíamos sobre Cascavel antes desta oportunidade de voluntariado que se abriu, mas em suma fomos convidados aqui por um professor de Inglês de uma empresa de TI (Tecnologia da Informação).

A empresa procurava viajantes nativos ingleses, com formação em Tecnologia da Informação para passar uma semana ajudando com suas aulas, trazendo insights culturais e práticas para que os alunos ouvissem dialetos regionais.

Qual é a rotina diária de vocês?

Nós acordamos naturalmente cada dia e começamos um período de meditação seguido de uma sessão de yoga.

Bebemos chá, um café da manhã de frutas e nozes e trabalhamos em nossos projetos até por volta das 11 horas.

Depois nos dedicamos aos projetos na cidade em que estamos vivendo no momento. Almoçamos e partimos no meio da tarde para continuar nossas atividades, dependendo do que preparamos para o dia.

Temos um tempo no fim da tarde para retornar à meditação e nos retirar para dormir mais cedo do que o brasileiro normalmente costuma deitar.

Amy e Wayne

Novos empreendimentos são planejados ou acontecem em cada parada?

O conceito de projetos como oportunidades para aprender é planejado conforme avançamos.

Nós dois tivemos experiências funcionais de viagem e trabalhamos em todo o mundo, então o conceito não é novo para nós.

O conteúdo do projeto ocorre a partir de nossa experiência em cada lugar. Nosso próximo destino, por exemplo, tem sido parcialmente considerado por influências externas.

Muitas pessoas nos sugeriram um lugar e inclusive temos essas pessoas lá nos ajudando a pesquisar oportunidades antes de chegarmos, portanto há algo de orgânico e versátil em nosso planejamento.

Vocês identificaram um nicho específico para empreender ou há novas possibilidades em cada destino?

Todos os nossos projetos têm algo em comum, eles estendem o alcance comunicacional de indivíduos ou grupos, então vamos chamar o nicho de “comunicação”.

Ensinar é um método de aprendizagem para nós, por isso era natural que um elemento de aquisição de linguagem seria incluído quando visitássemos países de língua estrangeira.

Parte da comunicação é perceber o potencial de alcance dos outros.

Muitas vezes aconselhamos sobre a importância da comunicação aberta e honesta quando nos encontramos e ensinamos pessoas que às vezes são incrivelmente autoconscientes e têm dificuldades para se expressar ou nutrir sua criatividade.

Estamos envolvidos atualmente no ensino de línguas, tradução, publicação de ebooks e design online.

Toda nossa jornada incorporou algum elemento de aquisição de linguagem, aprendendo ou ensinando nossa língua e durante algumas semanas na Argentina ficamos com um anfitrião amável por meio do Couchsurfing, que nos levou a desenvolver mais um método de ensino que desenhamos para combater a ansiedade da [aquisição de uma] língua estrangeira.

O método utiliza uma dinâmica natural de organização da sala de aula baseada na escuta e contribuição do grupo, a fim de minimizar o sentimento de competição.

Tivemos uma brilhante oportunidade para incorporar isso em nosso ensino em Cascavel e continuaremos a desenvolver nossa técnica no futuro.

Outro negócio que vocês desenvolveram durante as viagens é o Typeface. Como funciona?

O Typeface foi sugerido por um amigo. Nós compartilhamos vários interesses e discutimos inúmeros projetos. Queríamos um termo que abarcasse todos os projetos que gostaríamos de explorar.

A ideia é que aprendemos o que gostamos de fazer e o que gostamos de fazer juntos, então não é apenas tradução, mas esse é o nosso foco principal no momento.

A intenção é incorporar mais pessoas nesses projetos e também em novas ideias. Estamos sempre animados para ver onde vai dar.

O nome Typeface vem da ideia de que:

Similar a um tipo de letra [Typeface], os métodos de um tradutor estão escondidos atrás de um estilo pessoal e característico. Uma tradução… para ser lida, para transmitir significado é trazida à vida pela sutil estética do tradutor.

Amy e Wayne com os amigos

Na opinião de vocês, empreender é um dom ou uma habilidade?

Acreditamos que a essência do empreendedorismo é uma perspectiva de estilo de vida integrado. É uma maneira de observar aqueles ao seu redor e identificar oportunidades de eficiência que correspondam as suas habilidades.

No ambiente certo, estamos naturalmente inclinados a buscar melhorias para aqueles que vivem ao nosso redor.

As habilidades que permitam às pessoas reconhecer e fazer uso disto são um equilíbrio de intuição, autoresponsabilidade, oportunidade e apoio daqueles ao seu redor.

Todas estas habilidades podem ser cultivadas e aprendidas e quem é bem sucedido deve ser grato por aqueles que lhes permitiram realizar e expandir seu potencial.

O que você recomenda para aqueles que também estão considerando empreender sem destino?

Nosso conselho é confiar e permitir que outros ajudem nessa jornada, além de tentar entender e respeitar a ecologia local.

Escolha países que permitam integrar e usar ideias e energia para progredir, motivando e influenciando aqueles ao seu redor.

Encontre lugares onde você se sinta confortável e possa manter sua saúde física e mentalmente.

E, finalmente, para se divertir… sem perder a perspectiva.

Sobre o casal

Amy e Wayne são profissionais da área de TI (Tecnologia da Informação) e dominam o espanhol.

Wayne atua com consultoria técnica e treinamentos para vários níveis de expertise e especialização.

Amy tem formação em psicologia e comunicação técnica, atuando como gerente de RH, entrevistadora e apresentadora.

Eles têm energia de sobra para falar fluentemente sobre muitos assuntos, tornando a conversação fácil e natural.

Quer saber mais sobre nomadismo digital?

Clique aqui e conheça o paranaense que trocou a carteira assinada para conhecer o mundo e está se dando muito bem com a rotina de nômade digital.

Amy e Wayne, empreendedores viajantes
Pin
Copy link