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Igual: startup cria cashback social que possibilita fazer doações sem colocar a mão no bolso

A moeda social criada pela Igual segue a mesma lógica utilizada pelos programas de milhas ou pontos, com detalhe que o dinheiro que o consumidor recebe de volta é destinado a programas sociais.

Você apoia alguma causa?

E como você demonstra seu apoio: doando tempo (trabalho voluntário) ou dinheiro?

Quando foi a última vez que você doou recursos?

Segundo os dados da Pesquisa Doação Brasil, 77% dos brasileiros são doadores, e dentro dessa maioria, 52% demonstram seu apoio através da doação em dinheiro.

Se você é ou não um doador frequente – ou quer se tornar apoiador de várias causas (sim, no plural!), saiba que a startup Igual foi pensada para facilitar e modernizar a dinâmica de doação em todo o Brasil, além de incentivar aquela parcela da população que ainda não faz nenhum tipo de doação.

A startup de São Paulo, criada por André Mendes, Gabriel Pinheiro e Marcelo Raimondi é um cashback social: a dinâmica funciona da mesma maneira que as já conhecidas plataformas de cashback, mas com a diferença que o dinheiro que você recebe de volta nas suas compras será doado para uma organização não governamental e sem fins lucrativos da sua escolha.

Consumo, dinheiro de volta e a solução para falta de grana

Tudo começou quando os amigos observaram o impacto que as mudanças tecnológicas estavam provocando na economia, na saúde, no consumo, na alimentação, entre outros. “Começamos a entender que existia um descompasso. A tecnologia estava avançando para todos os setores, menos para o setor social”.

Assim, há mais ou menos dois anos, eles começaram a pensar numa ideia que pudesse reduzir a desigualdade, mas com um requisito: teria que ser aplicável em larga escala.

Em paralelo, passaram a acompanhar pesquisas e entender as motivações das pessoas que não fazem doações: falta de dinheiro, falta de tempo, desconfiança, crença que é dever do governo e falta de transparência sobre o destino das doações são os principais motivos apontados pelos entrevistados.

E mais, o comportamento de gerações foi determinante no processo.

Ao longo de dois anos entendemos um movimento de consumo. Hoje a maior força laboral são pessoas de 18 a 34 anos, geração Z e millennials, e essas pessoas querem se relacionar com marcas e trabalhar em empresas que geram impacto social.

Com a união de tantas informações, surgiu a primeira ideia: um cartão de crédito cujo as compras realizadas com ele destinariam uma porcentagem às ONGs. Mas a conta de desenvolver um cartão junto às operadoras não fechava. 

Em conversa com mentores e grandes marcas, aprimoraram a ideia que deu origem aos iguais, a moeda da plataforma (e futuro app) Igual.

“O Igual é um marketplace que coloca lá dentro as marcas que devolvem aos clientes uma moeda virtual, o social coin, e os consumidores e usuários podem escolher os projetos para onde querem creditar essas moedas. Diferente do sistema tradicional, nós criamos um modelo de negócio que o impacto social é constante e que oferece possibilidade das empresas darem o poder de escolha ao consumidor”.

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Enquanto no modelo tradicional as ações mais populares são aquelas em que as marcas destinam parte da renda adquirida em um dia específico para uma entidade selecionada por eles, a Igual quer que o consumidor escolha a instituição que mais se identifica para contribuir com a causa, destinando o social coin, os iguais.

Em 2019, o modelo começou a ser testado em duas lojas de São Paulo, mais precisamente na região do Jardins, numa ação estratégica que envolve recorte de público e de consumo. 

“É uma área com alto volume de comércio, com populações diferentes usando a região durante a semana e no sábado e domingo. O teste foi feito numa loja de moda de luxo, com alto valor de compra, mas baixo volume de vendas e também numa gelateria, que tem grande volume de vendas de baixo valor”.

E o resultado chegou em quatro meses, com a arrecadação de R$ 4 mil, ou 1,2 milhão de iguais.

 “O primeiro indicativo que tivemos é que o comportamento das pessoas não está diretamente ligado ao valor do produto adquirido, mas à experiência que tem dentro da loja: se é mais tranquila e menos corrida, ela vai dar mais atenção ao Igual. A recorrência também é uma variável importante. Estamos com essa operação alfa e aprendemos com essas duas marcas opostas o quanto conseguimos melhorar a experiência do produto”.

A moeda segue a mesma lógica utilizada pelos programas de milhas ou pontos, que cria percepção de valor: um real equivale a 300 iguais.

“Na prática, se a pessoa ganhasse um real comprando um sorbet e mil reais comprando um vestido, acabava criando fricção ao invés de solucionar um problema. Dessa maneira, procuramos uma forma de criar quantidade de iguais que pudessem ser distribuídos, e também de arredondar uma conta que ficaria quebrada”.

A parceria entre o Igual e as lojas funciona na mesma política que o tradicional cashback.

A startup fecha com a loja um valor entre 5% a 15% das compras, e dentro desse valor, 70% se transforma em iguais e 30% compreende a remuneração da startup.

No excuses! Vai ser possível ajudar o próximo sem colocar a mão no bolso

Os R$ 4 mil arrecadados na fase de testes já foram destinados a Fundação do Rim, organização localizada em Fortaleza (CE).

Com esse valor, facilitamos o acesso das pessoas que precisam passar pelo transplante de rim aos exames indispensáveis e de difícil acesso no serviço público, o que possibilitou acelerar o processo de quem está na fila.

As 10 pessoas beneficiadas pelo valor arrecadado estarão no mini documentário de vídeo, que vai sanar o último dos principais motivos apontados por quem não é doador: a falta de transparência.

Agora, o objetivo para 2020 é possibilitar que as pessoas façam doações financeiras no próprio celular, por meio de um app. “A partir de janeiro vamos ter mais marcas e mais instituições. A meta é ter 50 projetos e 50 marcas a bordo no próximo ano”.

“Nós temos uma equação muito cuidadosa, para gerar participação em três pilares: instituição, pessoas e marcas. Se aumentar a quantidade de pessoas, aumenta a de marcas e projetos, e por consequência, pode aumentar o valor limite do crowdfunding”.

Foto capa: Divulgação

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