Imagina os ingredientes: repolho, chicória, abacaxi e óleo de côco.

Se você misturar, qual seria o resultado?

Uma salada inusitada, vendida em alguma nova franquia de alimentos saudáveis e saborosos?

Graças a inteligência artificial, essa combinação se tornou um leite vegetal com gosto do tradicional leite que estamos acostumados a consumir no cafézinho, com cereal, puro ou em receitas.

Trata-se de um algoritmo de inteligência artificial, que armazena os dados de milhares de plantas e vegetais, e a partir da indicação de qual alimento ele deve recriar, busca em sua extensa base de dados qual a combinação de vegetais que irá gerar um alimento que provoca no consumidor a mesma sensação de sabor, textura e aroma, além de ter um valor nutricional melhor ou igual – só que produzido de uma maneira mais sustentável.

O algoritmo tem até nome.

Foi carinhosamente apelidado de Giuseppe pelos seus criadores: o engenheiro comercial, Matías Muchnick; o cientista da computação, Karim Pichara; e o doutor em biotecnologia vegetal, Pablo Zamorra.

Fundadores da NotCo

Juntos, eles fundaram a NotCo, empresa chilena responsável pela venda do Not Milk, o leite vegetal descrito ali em cima. E mais do que ser uma food tech ou uma empresa de alimentos, a NotCo afirma ser uma empresa de tecnologia, com um propósito inovador de revolucionar a indústria alimentícia.

Inteligência artificial: o “elemento x” não acidental da NotCo

Tudo começou com uma inquietação do Matías Muchnick pela forma como a comida de origem animal é produzida de maneira não sustentável para o planeta.

A NotCo nasceu com o propósito de revolucionar a indústria alimentícia com uma produção mais amigável ao planeta, que não usa nada de proteína animal nem nada sintético. E com o diferencial de entregar ao consumidor produtos deliciosos, que geram neles a mesma sensação (em termos de sabor, textura e aroma) do que os produtos que amam comer.

Luiz Augusto Silva
Presidente da NotCo no Brasil

A base de dados do algoritmo de inteligência artificial tem milhares de plantas e vegetais cadastrados. Conforme Luiz, todos os dias o algoritmo sugere cerca de 10 novas receitas que são testadas na cozinha-laboratório em Santiago.

Além de economizar tempo e recursos (quando comparado ao que o ser humano precisaria para buscar infinitas combinações de vegetais), o algoritmo criado pela startup realiza algo que não é comum na indústria tradicional: a exploração dos dados de plantas e a combinação inusitada de vegetais.

Não é maionese, não é leite e não é sorvete

Not Mayo, Not Milk e Not IceCream.

São esses os três primeiros produtos lançados pela Not Co. 

Not Mayo Garlic

O primeiro recriado foi a Not Mayo, e não foi à toa, já que o Chile representa o terceiro maior mercado no consumo de maionese no mundo. Sem ovos na composição, a maionese é feita à base de grão-de-bico.

Em 2019, quando o foco se tornou o mercado brasileiro, o maior da América Latina, a NotCo escolheu outro produto que está presente na mesa da maioria dos brasileiros: o leite.

“Todas as versões do Not Milk têm a mesma base de vegetais, que é de óleo de coco, repolho, abacaxi e chicória”. Em seguida, veio o Not IceCream, também sem leite na composição.

Em 2020, a companhia planeja lançar sua alternativa ao hambúrguer.

“Pretendemos chegar a estabelecimentos de food service (comida fora de casa) e de varejo. E queremos competir, inclusive, com os hambúrgueres tradicionais”.

A NotCo opera no Chile, no Brasil e na Argentina, e acabou de abrir um escritório nos EUA, onde se prepara para entrar no mercado. Globalmente, a companhia tem mais de 100 funcionários.

NotCo na era da inteligência artificial, no Youtube

Conforme Luiz, a base de dados do Giuseppe é tão extensa que permite recriar qualquer alimento que utilize ovos, leite ou carne na composição.

Mas engane-se quem pensou que o trabalho é feito somente pelo algoritmo.

O algoritmo nos dá a receita, com os ingredientes e as proporções, e nossos chefs e cientistas a testam na nossa cozinha-laboratório e fazem a análise sensorial. Então, eles retroalimentam o Giuseppe com seus feedbacks e, se necessário, pedem ajustes na combinação, até que cheguem na receita ideal.

O trabalho associado de humanos e inteligência artificial desenvolvido pela NotCo chamou atenção da série The Age of I.A, primeira produção original Youtube com produção do Robert Downey Jr.

Assim, a startup se tornou a única empresa da América Latina a participar da série que mostra como companhias em todo o mundo estão liderando o desenvolvimento de inteligência artificial e criando coisas novas.

“A produção foi até a nossa sede em Santiago e gravou por três dias com os nossos fundadores e nosso time, que mostraram o funcionamento do Giuseppe e o trabalho na nossa cozinha-laboratório. Estar entre as empresas de vanguarda selecionadas para essa série nos dá muito orgulho e significa muito para nós”. 

A série será disponibilizada gratuitamente para todos os usuários do Youtube, com um episódio por semana. Ao todo, serão oito episódios.

Not Milk da NotCo
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