Uma das recordações que tenho da infância é meu pai na garagem de casa com o capô do carro aberto e me pedindo para anotar nomes de peças que ele precisava trocar. Meu pai sempre tentou consertar as coisas antes de descartá-las ou de levá-las a algum profissional da área.

Me lembro de não querer consertar meu PC mesmo cursando uma escola técnica de informática, dizia que queria muito mais que ser uma técnica e lá estava meu pai de novo:

Você tem que ao menos saber fazer isso, colocar a mão na massa.

Fazer é algo inerente ao ser humano, expressamos nossos sentimentos fazendo algo, quando crianças, por não termos recursos financeiros, o presente que damos aos nossos pais são cartões ou artefatos feitos por nós mesmos. A aula de artes é um dos cenários mais clássicos de como o fazer está presente na nossa infância.

Nos tornamos adultos e magicamente esse nosso instinto some, compramos, mandamos para o conserto ou descartamos as coisas para comprar novamente. Mas, graças a pessoas como meu pai e a tantos professores “Pardais” que temos por aí a cultura do faça-você vem ganhando espaço, ares atuais e, porque não dizer, revolucionários.

Agilidade, criatividade e inovação são contribuições da cultura maker para o cenário empreendedor.

A cultura maker é a ressignificação do faça-você-mesmo aliado à abundância que temos hoje, seja ela de informação ou de equipamentos. Profissionais das mais diversas áreas podem aprender a programar uma “plaquinha” e fazer projetos sem ter frequentado um curso online de programação e/ou prototipação, usando vídeos e tutoriais disponibilizados por outros fazedores através da Internet. Equipamentos como placas, impressoras 3D, cortadoras a laser estão cada vez mais fáceis de serem usados, além de funcionais e baratos.

Esse cenário está cada vez mais propício para exercermos a criatividade inerente a alguns ou para exercitarmos a árdua, mas não menos gostosa, tarefa de adquirirmos essa habilidade. E criatividade e inovação estão ali, uma do ladinho da outra.

Os makers de todo o mundo encontraram na revista Make uma espécie de Bíblia. Essa revista, lançada em 2005, é uma das grandes responsáveis pela disseminação desse movimento.

Outro expoente do movimento são as Maker Faire, feiras que acontecem em vários lugares do mundo onde entusiastas se reúnem para mostrar seus projetos. Nessas feiras grandes empresas estão presentes, pois veem nelas a oportunidade de conhecer seus futuros colaboradores ou até mesmo seus futuros produtos.

Um outro site bastante conhecido no meio maker é o Instructables.

Nele é possível encontrar os mais diversos projetos nas mais diversas áreas. Uma das coisas mais interessantes desse movimento é o compartilhar e nesse site é possível não somente ver vídeos e fotos dos produtos finais, mas o projeto como um todo, passo a passo, possibilitando que outras pessoas possam replicá-lo.

Além disso, existe a seção Class, onde estão disponibilizados cursos básicos para quem quer ingressar nesse movimento como avançados.
Existem também os espaços makers que são espaços compartilhados que podem se encaixar em basicamente três modelos: FabLabs, HackerSpace e MakerSpace. Neles é possível usar as ferramentas, encontrar pessoas que têm a mesma paixão pelo fazer e participar de cursos, palestras e oficinas.

Não é à toa que empresas como Intel, IBM, Autodesk, Google e Natura estão realizando Hackathons, eventos de duração curta geralmente em fins de semana. Durante o evento os participantes são instigados a criar uma solução para um problema proposto pela empresa. As pessoas passam por etapas de ideação, prototipação e apresentam suas soluções, colocando a mão na massa e criando coisas.

Assim a cultura maker proporciona uma agilidade na criação de produtos onde pessoas comuns podem em um primeiro momento, de forma independente e/ou com recursos limitados, criar e prototipar suas ideias para logo em seguida produzir, vender e distribuir seus serviços.

Cultura Maker
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